19
- Daniela Santos
- 21 de jul. de 2018
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de set. de 2020

Tantas vezes pedi que me contassem esta história que hoje já a sei de cor. O meu pai e a minha mãe foram ao hospital e combinaram induzir o parto porque o médico ia de férias. Tudo combinado. No dito dia a minha mãe e o meu pai dirigem-se para o hospital desejosos de me porem os olhos em cima (palavras deles). Contudo eu não estava para aí virada e a minha mãe depois de tantas horas sem comer também não. Pegou nas malas e veio-se embora com o meu pai. O médico foi para as suas férias e voltou, e só depois de abrir a barriga da minha mãe é que me conseguiu tirar cá para fora.
Nasci, portanto, contrariada, mas nem era de me portar mal. A não ser que perguntemos a qualquer pessoa que teve de me dar de comer. Aí preparem-se para ouvir uma história descritiva de duas horas sobre todas as macacadas que eram feitas para que eu conseguisse comer um grãozinho de arroz. Nem com aviões ia lá (já em criança não gostava muito).
Contudo posso dizer que tive uma excelente infância. Tinha uma família grande (e sempre a crescer) e muitos cães! Lembro-me de, rodeada de todos os meus primos e tios, também eu sair assim arrapazada. Adorava brincar no campo e nos jardins e estar com todo o tipo de animais (algo que agora é extremamente raro devido ao meu medo a tudo o que se mova). Característico das meninas também brincava aos cafés e preparava chás mas sempre de calças de ganga e ténis. Adorava ler. Principalmente livros de aventuras. Também eu era uma aventureira no meu pequeno mundo e adorava correr pela casa dos meus avós em busca de algo.
Era muito segura de mim própria, com aquela segurança típica dos rapazes, que pouco se preocupam se estão gordos ou magros. Posso dizer que aprendi muito na minha infância. Não só os básicos da primaria, como muitas atitudes e valores ensinados pelos que me eram mais próximos.
Mais tarde na adolescência começaram a surgir os dramas dos rapazes e os primeiros amores, onde cada um dói mais que o anterior e onde nenhum tem salvação possível. Ser rapariga começou a manifestar-se não só nos meus hobbies, mas também na minha maneira de pensar e de ver o mundo à minha volta. E típico da idade da adolescência alguns dos meus valores apreendidos em criança foram substituídos pela necessidade de reconhecimento e do "ser fixe".
Hoje tenho 19. Já passei a minha necessidade do "ser fixe" e de ir contra a minha pessoa. Para alguns já passei a adolescência para outos ainda sou uma criança. Eu não sei. Neste momento olho para trás e vejo estes anos que passaram como uma grande aventura. Foram anos que me ensinaram muito, não só sobre os outros e o mundo, mas também sobre mim própria.
Assim com 19 anos (e a morder uma velinha de baixo da mesa) espero continuar a crescer e a aprender. Aprender sobre mim e sobre os outros. Descobrir o mundo e todas as coisas maravilhosas que ele têm para oferecer. Conhecer mais pessoas e ouvir as suas histórias. Desejo continuar uma aventureira neste meu mundo, que já não é assim tão pequeno.

Comentários