A Injustiça das Mazonas
- Daniela Santos
- 2 de nov. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 9 de nov. de 2020

Já disse aqui várias vezes que fui uma criança da geração do Disney Channel e apesar de já ter dito várias coisas à cerca deste tema, podem crer que ainda tenho mais a dizer! Hoje o texto pode ser controverso, principalmente para os leitores da minha idade que tenham opiniões (e até, sentimentos) muito fortes pelas personagens que aqui vou mencionar.
Queria falar sobre algo que já há muito tempo penso, mas que nunca tive oportunidade de partilhar, até que ontem me lembrei aqui do site e, portanto, cá vamos nós. Uma coisa que fui reparando ao longo da minha adolescência era que normalmente as minhas personagens preferidas eram sempre as miúdas mazonas dos filmes e séries. Inicialmente achei que isto podia ser por estas serem “giras” – porque tipicamente Hollywood escolhia as raparigas loiras e giras para serem as malvadas e as morenas de óculos que vestiam as camisolas de malha das avós as boas (obviamente depois de tirarem os óculos e porem um lip gloss ficavam lindas e ganhavam a história). Mas agora mais velha consigo perceber que não é bem assim. Para demonstrar o que quero dizer vou exemplificar a mesma história escrita de dois pontos de vista diferentes:
Ponto de Vista 1: Era uma vez uma rapariga chamada Gabriela que entrou para uma escola nova. Nesta escola conheceu um rapaz muito giro e popular que lhe mostrou o clube de teatro da escola e a levou a inscrever-se com ele. Os dois ganham o lugar na audição participam no teatro e apaixonam-se.
Ponto de Vista 2: Era uma vez uma rapariga chamada Sharpay que desde pequena sabia que queria ser atriz e cantora. Por isso dedicou-se a estudar e a praticar para conseguir alcançar os seus sonhos. Um dia na sua escola uma nova rapariga apareceu e apesar de não ser essa a sua paixão nem nunca ter treinado ficou com o papel principal. A nossa rapariga ficou desolada e tentou por tudo recuperá-lo, mas não conseguiu.
Para os da minha geração que estão a ler isto ou a minha mãe que tantas vezes viu comigo o filme, sabem exatamente do que eu estou a falar. E enquanto que muitos de vocês podem achar que a Gabriela é a melhor personagem eu discordo muito.
A Sharpay era claramente uma rapariga muito esforçada e trabalhadora que tinha os seus objetivos muito claros e que trabalhava todos os dias dando o melhor de si para os alcançar. Apesar de ter pais ricos que lhe poderiam dar todas as oportunidades para entrar numa escola profissional de artes ou através dos seus contactos colocá-la numa série ou programa de televisão, ela queria chegar às melhores faculdades por mérito próprio.
Pelo contrário, a Gabriela apaixonou-se por um rapaz e foi na conversa dele. Não estou com isto a dizer que devemos odiar a Gabriela porque ela não tem culpa do que aconteceu. Ela fez a audição como qualquer um podia ter feito e ficou com o lugar que qualquer um podia ter ocupado. Mas no entanto, acho que personagens como a Sharpay de ideais fortes e muito determinadas não podem sempre ser vistas como as más da fita. É claro que geralmente os produtores e diretores dos filmes dão-lhes sempre algumas coisas más para estas fazerem às personagens “boas” para que seja ainda mais evidente que não devemos gostar delas. Mas não concordo. Acho que são apenas adolescentes a serem adolescentes e consigo perceber que seja perfeitamente normal para a Sharpay ficar triste com o facto de depois de todos os seus anos de trabalho e esforço não ganhar o papel principal.
Em suma acredito que as personagens ambiciosas não devem ser vistas como as más da fita só por saberem o que querem e não desistirem disso. Percebo que os fins não justifiquem os meios mas acho que deviam passar a valorizar mais estas personagens de maneira a transmitir exemplos de persistência e determinação às crianças que as vêm, invés de as classificar como Neuróticas Tipo 1.

Muito obrigada pelo comentário Eduardo! Os mauzões e as mazonas estão por todo o lado o que os distingue é mesmo o que é que eles estão dispostos a fazer para alcançarem os seus objetivos. Podem os fins justificar os meios? Mais uma vez obrigada pelo feedback!
Olá Daniela. Começo por te dar os parabéns pelas temáticas que trazes para discussão, mas sobretudo pelo que representam....uma jovem a reflectir e a pensar....muito importante. Quanto ao texto em si, se calhar a melhor pessoa para te dar umas dicas sobre os mauzões ou mazonas que não conseguem atingir objectivos apesar de todos os esforços e que por isso se revoltam quer interiormente quer exteriozando, acho que tens na tua mãe uma boa fonte de conhecimento sobre esta temática. Saberá explicar as n variáveis que condicionam os mauzões e mazonas....e já agora um beijinho para a Drª Teresa. Obrigado