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Alguém que Admiro

  • Foto do escritor: Daniela Santos
    Daniela Santos
  • 4 de out. de 2020
  • 3 min de leitura


Em época de limpezas aqui em casa (e no computador) descobri recentemente um trabalho do qual me orgulhei muito que realizei no décimo segundo ano. O trabalho era para a disciplina de Português e o tema era “Alguém que admiro”.

Muito provavelmente, todos nós, à pergunta “Diz-me alguém que admires” vão responder sempre “Sei lá”. Talvez por uma preguiça de pensar ou pela vulnerabilidade a que esta pergunta nos remete. Dizer que admiramos alguém é demostrar um tipo de amor que se calhar nunca verbalizamos, nem com ela nem com nós próprios. Podemos gostar de alguém e não admirar essa pessoa, ou podemos admirar alguém de quem não gostamos. E por isso depois do nosso rápido “sei lá” somos logo capazes de identificar pelo menos uma pessoa.

Para mim, esta primeira resposta era fácil. Família. Tinha a minha mãe, o meu pai, os meus avós, a minha Ama, tudo pessoas que me são próximas e das quais sinto muito admiração em diferentes categorias. Mas algo que parecia tão fácil não me parecia bem. Em conversa com as minhas colegas (e digo minhas colegas porque só tínhamos um rapaz na turma), apercebi-me de que metade da turma iria fazer sobre os pais, as mães ou os irmãos mais velhos. E por isso risquei muito rapidamente esta opção da minha lista.

Pensei também numa admiração mais profissional. Pessoas que não conhecesse a nível pessoal mas que acompanhava os seus projetos e carreira e admirava a sua determinação e/ou criatividade. Surgiram personalidades como jogadores profissionais de basquetebol, cantores e atores. No entanto, sentia que este trabalho iria estar um bocado desapegado de sentimento, uma vez que eu não conhecia a pessoa pessoalmente e tudo o que iria dizer seriam coisas que qualquer um encontraria na internet. Novamente, em conversa com as minhas colegas percebi que da outra parte quase todas iriam fazer sobre este tipo de personalidades fossem jogadores ou cantores e de maneiras que esta possibilidade também foi excluída.

Podem-se estar a perguntar se tenho algum problema em fazer trabalhos com os mesmos temas que os meus colegas. E sim tenho. Não é que eu tenha uma necessidade muito grande de ser diferente e bué alternativa, mas acredito que seja uma grande seca para professores e alunos ficar 90 minutos a ouvir toda a gente a falar do mesmo. E por isso procuro pensar sempre numa forma de dar a volta à situação para que, na minha vez seja, no mínimo interessante e não outra vez a mesma lengalenga.

No momento de tomar a decisão, paniquei. Não fiz sobre ninguém chumbei e não passei o ano. Não, estou a brincar. A dois dias ou assim da apresentação achei por bem falar sobre alguém que ninguém iria falar. Sobre mim.

Acredito que muitas pessoas a ler isto agora achem que sou uma pessoa super egocêntrica e que se acha a última bolacha do pacote. Na altura também houve quem me dissesse isso, quando expliquei a minha ideia. Mas não acho que seja bem assim.

Escolhi-me a mim porque acho que muitas vezes nos são feitas estas perguntas “Quem é que admiras?” “Gostavas de ser quem quando fosses grande?” “Gostas das características x e y da pessoa z?” mas muito poucas vezes é nos perguntado o que é que gostamos ou não de nós próprios, se nos admiramos, se estamos orgulhosos e felizes com o nosso percurso. Acho que vivemos muito numa sociedade onde olhamos muito para fora, principalmente com as redes sociais. Vemos as vidas aparentemente perfeitas de pessoas que não conhecemos pessoalmente e vivemos tão presos a isso que sinto que quando olhamos para nós acabamos apenas por nos comparar a esta imagem falsa que nos é vendida.

No meu trabalho tentei explicar isso. Que não me achava incrível e perfeita nem a última bolacha do pacote, mas que achava que era muito importante sabermos olhar para nós e valorizarmos o nosso percurso, mesmo sabendo que não fizemos tudo bem. Uma das coisas que admiro em mim, é essa capacidade de saber olhar para dentro, reconhecer as minhas falhas, trabalhar nelas e ao mesmo tempo ser capaz de reconhecer também os meus pontos fortes.

Acredito que quem assistiu à apresentação percebeu, e quem não assistiu continuou a achar que eu sou egocêntrica. No final do dia, o importante é que todos saibamos olhar para nós e estarmos felizes e contentes com o percurso que estamos a percorrer e não nos preocuparmos se as outras pessoas percebem ou não. É o nosso percurso e quem tem de o perceber somos nós.

 
 
 

2 comentários


Daniela Santos
Daniela Santos
12 de out. de 2020

Muito obrigada @JoseCoelho ! És o primeiro a comentar no site! Podemos aprender muito com nós mesmos se nos permitirmos a isso.

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Jose Coelho
07 de out. de 2020

Excelente. Gostei muito. Nós não conseguiremos gostar de alguém se não começarmos por gostar de nós próprios. É dentro nós que encontraremos as soluções para os nossos dilemas e desafios e é também ao nosso íntimo que podemos ir buscar as razões para gostarmos dos outros. Aceitando da mesma forma os defeitos e virtudes que cada um de nós transporta consigo próprio. A nossa passagem pela vida é um processo de aprendizagem permanente. A nossa viagem fica mais fácil quando estamos disponíveis para aprender e compreender.

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