Des.Ilusão
- Daniela Santos
- 19 de set. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 22 de set. de 2020

Disseram me no outro dia que a razão pela qual eu gostar tanto de animais devia-se ao facto do seu amor ser incondicional enquanto que as pessoas desiludiam. Poxa foi logo a abrir hoje. Mas eu não acho que isso seja bem assim.
É verdade que a minha pessoa não tem a natureza mais fácil e confiante no que toca a partilhar os meus sentimentos e questões mais pessoais com qualquer um. Até parece contraditório dizer isto num blog para quem quiser ler. Mas não acho que tenha esta má expectativa das pessoas e esperar desilusão de todas elas. Se assim fosse fazia o meu próprio pão alentejano invés de pedir ao meu avô para ir comprar, não confiando que este soubesse escolher o melhor pão de todos!
No entanto, é verdade sim que, todos nós já tivemos muitas desilusões com outras pessoas, mas não se enganem. O meu cão desilude-me todas as vezes que sai de ao pé de mim para ir ter com outra pessoa só porque esta tem um pedaço de fiambre. Eu posso estar a sorrir por fora mas por dentro um pedaço da minha alma foi levado e espezinhado por aquele ser fofo. E assim acho que podemos concluir que já que tudo na vida nos vai desiludir mais vale a pena não amar nada nem ninguém. Não.
A desilusão faz parte da nossa vida e ajuda-nos a crescer. Faz-nos perceber que as ideias que criamos na nossa cabeça muitas vezes estão erradas e não correspondem à realidade daí a desilusão vir quebrar esta ilusão que criamos invés de vermos a realidade como ela é.
Invés de esta ser uma coisa horrível é apenas a vida a mostrar-nos que enquanto seres humanos emocionais às vezes deixamos que fatores externos influenciem a maneira como vemos o mundo e é preciso que estas ilusões que criamos nas nossas cabeças sejam desfeitas para podermos chegar à razão. Dizer “És uma Desilusão para mim” pode ser o mesmo que “Tinha uma ideia de ti que afinal não é a real”, o que é bem mais fácil de ouvir e muito menos rude!
Já no que se refere à minha pessoa, depende. Depende das pessoas e da situação. Já não sou a criança que não respondia aos empregados de mesa e se fingia de catatónica para não ter de comentar a famosa “Então não comes mais? Olha que se não comeres tudo vais ter de ficar cá a limpar a cozinha”. E só um parenteses – senhores dos restaurantes, acham mesmo que é a ameaçar uma criança com limpezas que ela vos vai responder e sorrir? Já alguma criança depois de ouvir isso disse “Ah então sim é melhor comer” ou pior ainda “Perfeito estava-me mesmo a apetecer limpar umas colheres”. Não comento. Prosseguindo. Apesar de não ser essa criança também não sou o extremo oposto se não estava agora na nova temporada do Big Brother a desabafar sobre a minha vida.
O meu lema é Tudo em Equilíbrio, logo a seguir a Se há um tapete em casa é para limpar os pés sempre à entrada, claro. Por isso, devemos confiar em quem achamos que devemos confiar e quem nos der razões para o contrário cabe-nos a nós decidir como agir. Já dizia o ditado popular “À primeira todos caem, à segunda caem os tolos e à terceira cai quem quer”. Eu às vezes não gosto de ser tola e outras vezes não me apetece cair de todo. Mas caímos e não há nada a fazer.
Não obstante a isto, sim acho que os animais são muito melhores que as pessoas pelo simples facto de que são todos fofos e lindos até mesmo os feios.

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