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Entre Rapazes

  • Foto do escritor: Daniela Santos
    Daniela Santos
  • 28 de set. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 2 de out. de 2020



Este era um texto que queria escrever já há muito tempo, mas demorei porque queria ver se encontrava informação mais cientifica ou “válida” digamos, no assunto mas uma vez que não a encontrei, seja porque não existe ou porque as minhas pesquisas se baseiam no culminar das primeiras sugestões que o google me dá teremos de nos basear apenas na minha simples e humilde opinião.

Depois de ter escrito o texto dos meus avós e de ter subido uns pontinhos na questão da herança (estou a brincar avós, obviamente) acabei por refletir muito sobre a minha infância e ver muitas fotografias desta. E em suma, pude concluir duas coisas: A primeira é que ser “fotogénica” não é algo com que se nasce, e no meu caso isso é mais claro que o dia. Se por alguma razão eu hoje consigo ficar bem ou vá decente numa fotografia, não é porque nasci prendada pois tenho fotos muito muito más cheias de sorrisos falsos e amarelos com cabelos despenteados e de boca aberta a falar. Enfim. E segundo, cresci sempre acompanhada.

Apesar de filha única (durante os meus anos “formativos”) não posso dizer que passei muito tempo a brincar sozinha, ou no meu cantinho. Cresci sempre bem acompanhada de um, e depois dois e depois três e agora seis primos.

Um ponto que gostaria de realçar é que estes meus seis primOs são efetivamente rapazes. Não estou a usar o género masculino para incluir ambos os géneros mas sim porque todos eles são “machos”.

E isto agora podia ser tudo muito bonito e todas as semanas eu escrevia aqui um textinho para uma pessoa da minha família ou alguém muito importante para mim onde dizia o quanto gostava dela. Mas este não é o caso. Venho aqui, por este meio, justificar o quão difícil é crescer no meio de seis rapazes e quatro tios.

Primeiro, se a minha família achava que enquanto menina eu ia ser uma princesinha estavam todos bem enganados porque com tanta testosterona naquela casa seria impossível tal acontecimento suceder. À frase “És uma princesa” (ou uma variação da mesma) a minha resposta era sempre “Eu não quero ser princesa quero ser cavaleira”. Não havia saias nem barbies. Eram sempre calças de ganga, esfoladas nos joelhos e animais da coleção da Imaginarium da quinta.

E na personalidade? Nada de ser uma menina piegas que gosta de abracinhos e festinhas a toda a gente. Para desconhecidos era catatónica e os mais próximos ainda hoje se queixam da minha falta de contacto físico – ao que eu gosto de chamar o meu espaço pessoal, que não deve ser invadido por qualquer um.

Por isso como podem ver, a minha feminilidade cresceu sempre muito reprimida. Mas pronto, para não dizer que tudo foi mau agradeço muito o facto de me terem deixado sempre mandar. Organizar ensaios para teatros e musicais (incríveis, diga-se de passagem) e inventar as brincadeiras.

Hoje em dia, já mais crescidos os benefícios são outros. Dão me sempre a fatia do bolo com mais torradinha, deixam-me dormir no colchão mais confortável, não me fazem desenhos na cara quando sou a primeira a adormecer nas sleepovers que fazemos, e principalmente não reclamam quando eu os acordo “cedo” porque está uma aranha no quarto e eu preciso de ajuda se não vou morrer.

Enfim. Se calhar até não é assim tão mau crescer no meio destes rapazes!

 
 
 

1 comentário


Conceição Coelho
Conceição Coelho
07 de out. de 2020

Foste sempre a princesa e mesmo não querendo continuas a ser a nossa princesa agora partilhando o reino com a tua mana...bjs

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