Futuro ou Presente
- Daniela Santos
- 7 de jun. de 2018
- 2 min de leitura
Atualizado: 24 de set. de 2020

Acho que me posso considerar uma pessoa sortuda por ter a oportunidade de viajar e conhecer pessoas, culturas e costumes novos, pelo menos das vezes em que não perco o avião. Normalmente as viagens que faço são curtas e por isso o meu avião não está recheado de equipamentos para me entreter como comida saborosa, filmes e series. Invés disso tenho à minha disposição na bolsa da frente uma revista com os produtos vendidos no avião e um cartão com as instruções de segurança, máscaras de oxigénio que caíram à minha frente em caso de avaria e coletes salva vida por baixo do assento, o que é bem melhor, na minha opinião.
Durante estas viagens no meio de toda a agitação que se passa na minha cabeça com o milhão de coisas que tenho de fazer quando aterrar, a minha cabeça por vezes para e pensa "se caíssemos agora nada disto faria sentido". E sim eu sei é bastante mórbido. Mas isso é uma maneira de ver as coisas. Quando estamos a andar de avião/carro/comboio/metro/autocarro estamos, na grande maioria das vezes, concentrados no que vamos fazer quando chegarmos ao destino "vou poder vestir o pijama e deitar-me no sofá", "vou ter um teste de matemática A", "será que ele vai achar que esta blusa é muito atrevida e por isso que eu sou muito atrevida", etc. Mas é raro dar por nós a pensar "Que bela viagem que é estar num autocarro, na hora de ponta e com pessoas mal-educadas que nos empurram e não usam desodorizante! 😊 ". Mas e se algo acontecesse nessa altura. Se soubéssemos que era o nosso último dia, será que queríamos estar a vive-lo a pensar no futuro ou a saborear o momento?
Caso o fizéssemos poderíamos aproveitar para ler um livro, ouvir um Podcast ou um TEDTalks ou simplesmente olhar. Todas as pessoas que se sentam ao nosso lado que por meros segundos estão na nossa vida. Como elas são, para onde vão, de onde vêm. Novas paisagens e novos cafés para experimentar. Sair uma paragem antes e andar até ao destino, respirar um pouco mais o ar.
Provavelmente seriamos todos mais felizes porque a nossa vida seria feita de bons pequenos momentos constantes e não apenas bons grandes momentos ocasionais.

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