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O Momento é Agora

  • Foto do escritor: Daniela Santos
    Daniela Santos
  • 21 de set. de 2020
  • 2 min de leitura

Atualizado: 28 de set. de 2020


Faço parte da geração que cresceu a ver Disney Channel. Na prática isto significa que cresci com musicais que descrevem o que sentimos, com adolescentes com mania de engraçados e com risos de fundo para nunca nos sentirmos sozinhos.

O meu sonho era ter uma identidade secreta na qual era super famosa e reconhecida e durante o dia tinha aulas como uma adolescente normal. E apesar de poderem achar que o pior destas séries são os adolescentes rebeldes e respondões estão muito enganados. O pior destas séries, para mim, é retratarem muitas das personagens principais como adolescentes tímidas que depois são forçadas a confrontar os seus medos numa atuação que deixa todos estupefactos. E eu andei aqui todos estes anos à espera que chegasse a minha oportunidade.

Escusado será dizer que ela nunca apareceu, e não por falta de esforço da minha parte. Cheguei a participar em concursos de talento nas minhas escolas para ver se esse meu momento surgia, mas nem assim.

É frustrante pensar que, estas séries e programas nos moldam enquanto jovens a sermos caladas e introvertidas porque no final somos nós quem triunfamos mas na vida não existe esse final, e por isso nunca deixamos de ser as raparigas caladas e introvertidas com demasiada vergonha e medo de se soltarem e se mostrarem ao mundo.

Basta olhar para os filmes de terror – a personagem principal é quase sempre uma rapariga mais introvertida e inocente que acaba sempre por sobreviver enquanto que as mais ousadas e extrovertidas não duram muito. E neste sentido acredito que existe muito na televisão, o culto desta rapariga tímida e introvertida que na vida real não ganharia em nada pois estaria sempre demasiado assustada e com medo para fazer alguma coisa.

Enquanto cineasta e rapariga acredito que este tipo de representações nos molda, ou pelo menos me moldou a pensar que o correto é ser assim. Mais calada, mais reservada e esperar que chegue a minha vez de brilhar. Mas a verdade é que a vida não é um filme, não podemos simplesmente esperar que nos seja entregue o microfone e que a multidão aplauda.

Temos de ser nós a tirar o microfone e a fazer-nos ouvir. Mostrarmos o que somos e o que temos a dar ao mundo sem esperar que ele nos entregue o microfone, porque isso não vai acontecer. E a multidão? Essa, quero acreditar que, apesar de demorar a aparecer, se formos persistentes e bons no que fazemos vamos ser sempre reconhecidos. Quanto mais não seja por nós próprios. Isso é o mais importante.

Antes de mais temos de acreditar em nós e ser a nossa própria multidão. Só depois de nos respeitarmos a nós próprios e reconhecermos o nosso próprio valor é que podemos esperar que os outros façam. Já dizia a sábia marca do leite Matinal “Se eu não gostar de mim quem gostará?”

 
 
 

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