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O Tigre e a Borboleta

  • Foto do escritor: Daniela Santos
    Daniela Santos
  • 27 de ago. de 2018
  • 4 min de leitura

Atualizado: 24 de set. de 2020



No fim de semana passado tive o prazer de estar com uma menina de 10 anos que quando descobriu que eu escrevia estes textinhos me pediu euforicamente para escrever uma história sobre um Polícia Bom e um Polícia Mau. Ora então aqui está:


"Era uma vez, uma menina chamada Iris. A Iris era uma criança pequena de cabelos encaracolados que vivia com a sua avó numa pequena aldeia. Durante o dia a Iris adorava passear pelos bosques e colher flores para levar para a sua avó. Um dia, enquanto brincava no meio das flores, a Iris viu um grupo de borboletas coloridas e tentou apanhá-las. Correu o mais que podia até que caiu e desmaiou. As borboletas que estavam apenas a brincar ficaram preocupadas e levaram a menina para um local longe dos Tigres. Quando Iris acordou viu-se rodeada de lindas borboletas.


- Onde estou? - Perguntou Iris às Borboletas


- Estás no bosque. - Responderam as Borboletas. - Estavas a correr atrás de nós quando caíste e te aleijaste. Nós trouxemos-te para aqui e tratámos de ti.


- Muito obrigada. Mas eu agora queria mesmo voltar para casa. A minha avó deve andar louca à minha procura.


- Não te preocupes! A tua aldeia fica aqui perto. Só precisas de passar a ponte de madeira que atravessa o rio. Se quiseres eu vou contigo para ter a certeza que não te perdes! - Disse a Borboleta Amarela.


Iris concordou e agradeceu a todas as outras borboletas por terem cuidado dela. Ao chegar à ponte Iris hesitou. Era muito alta e o rio por baixo fazia muito barulho contra as rochas. Com medo recuou. De repente um grande Tigre saltou em frente a Iris assustando-a a ela e à Borboleta.


- Afasta-te Tigre! Não queremos nada contigo! - Respondeu a Borboleta apavorada.


- Calma lagarta! Não te vou comer. Quero apenas conversar com esta menina. Como te chamas, minha querida?


- O meu nome é Iris.


- Estavas a pensar em atravessar esta ponte Iris? - Perguntou o Tigre


- Sim! As Borboletas disseram-me que era a única maneira de voltar para casa.


- Porque é que queres voltar para casa Iris? Não preferes viver neste bosque? Tem muitas flores bonitas.


- Sim é verdade, mas a casa da minha avó tem flores ainda mais bonitas. É para lá que quero ir. Tenho de lá estar antes do jantar, se não a minha avó chateia-se...


- Porque é que queres ir para um sítio onde as pessoas se chateiam contigo? No bosque não tens essa chatice. Aqui ninguém te diz o que fazer ou como comportar.


- Mas eu gosto de estar com a minha avó. Ela é muito engraçada e divertimo-nos muito as duas! - Disse a Iris esboçando um largo sorriso.


- Aposto que isso é só para te enganar. Provavelmente já nem se lembra de ti. Estiveste fora tanto tempo.


- Não! Isso é impossível. A minha avó nunca se esqueceria de mim! Vou atravessar esta ponte e vais ver como ela gosta de mim.


- Atravessar esta ponte? Não me parece muito segura. - e dito isto abanou a frágil ponte de madeira com as suas patas. - Vês! Nem fiz força. Não sei se vai aguentar com o peso de uma menina lá em cima. E lá em baixo... já viste a força da água contra as rochas? Eu não queria nada cair ali.


Iris começou a ficar cheia de medo. E se a avó já não gostasse mais dela e se tivesse esquecido?! E se ao tentar atravessar caísse e se aleijasse?! Não podia correr esse risco.


- Não oiças o que ele diz Iris. - Disse a Borboleta. - A tua avó nunca se iria esquecer de ti. Ela adora-te! E essa ponte aguenta com 13 elefantes juntos. Não tenhas medo Iris. Eu estou aqui para te ajudar caso precises, mas não consigo pegar em ti e levar-te.


- Tens razão! - Disse Iris. Ela sabia que a única pessoa capaz de atravessar aquela ponte era ela e que só assim conseguiria voltar para os braços da sua querida avó. Respirou fundo e agarrando-se bem pôs um pé em cima da ponte.


A Borboleta pousou no seu ombro e foi sussurrando a Iris todas as coisas boas que aconteceriam quando ela chegasse a casa. Primeiro poderia dar um grande abraço à sua avó e a seguir poderia comer uma bela lasanha. Devagarinho, Iris foi avançando na ponte. Quanto mais perto ficava de casa mais difícil era ouvir o Tigre.


- Vais cair! Cuidado! Eu se fosse a ti voltava para trás!


Iris não ligava a nenhum destes comentários. Já conseguia sentir o cheiro a lasanha acabada de sair do forno da sua avó e a água crescia-lhe na boca. Quando deu por si, tinha passado a ponte.


- Boa Iris! Agora podes ir ter com a tua avó!


Iris olhou para trás para ver todo o caminho que tinha percorrido com grande orgulho e reparou lá no fundo o Tigre que antes parecia tão grande e assustador era na verdade um pequeno tigre bebé com medo de ele próprio ser deixado sozinho. Com pena, Iris chamou o Tigre e convidou-o a viver com ela e com a sua avó assim como às belas borboletas. E viveram todos felizes para sempre."


Sei que não foi uma história sobre Policias, mas espero que tenha ajudado a explicar como por vezes somos o nosso próprio "Policia Mau" e temos de ser capazes de enfrentar os nossos medos para podermos alcançar os nossos sonhos. Isto claro não significa que os tenhamos de enfrentar sozinhos e por isso podemos contar com todos os "Policias Bons" que aparecem na nossa vida. Espero que a menina que tenha pedido esta história tenha gostado!


DESAFIO: Se tiverem paciência leiam o texto outra vez e tentem imaginar o Tigre desde o início como um Tigre bebé assustado. Fica aqui um exemplo de como por vezes não podemos julgar os outros através das suas palavras pois não sabemos o que está realmente por de trás destas.

 
 
 

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