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Sem Querer Saber

  • Foto do escritor: Daniela Santos
    Daniela Santos
  • 17 de nov. de 2020
  • 3 min de leitura


Disseram-me no outro dia que, enquanto pessoa muito séria e responsável que sou era importante para mim que conseguisse realizar algumas atividades que me soltassem e que permitissem à versão mais descontraída e brincalhona de mim vir ao de cima.


Acho que todos nós temos esta questão. Para algumas pessoas somos vistos sempre de uma maneira mais séria, conservadora, intimidante etc e para outros somos uns autênticos palhaços que estamos sempre na brincadeira e não dizemos coisa com coisa. Culpo muito a minha resting bitch face por este facto. Muitas vezes a minha simples expressão fácil transmite esta ideia de que é melhor nem se chegarem perto – o que não me interpretem mal, eu até gosto, porque se não sabe-se lá a quantidade de pessoas malucas que vinham falar comigo do nada.


No entanto é verdade que as atividades que fazemos no dia a dia condicionam muito esta forma como nos apresentamos aos outros. Pessoas que passam muito tempo a trabalhar se calhar são vistas como muito responsáveis enquanto que pessoas que passam o tempo todo na noite se calhar são vistas como uns grandes baldas. Acho que esta ideia está errada como é obvio, mas é preciso existir um equilíbrio entre as coisas sérias e as coisas divertidas que fazemos, nem que seja para a nossa própria saúde mental.


Esta mesma pessoa que me disse isto, contou-me também que recentemente viu uma senhora idosa a dançar. E isto é apenas tópico de conversa porque ela disse que a senhora dançava como se não estivesse ninguém a ver.


Seria incorreto inferir que este tipo de atitudes só podem ser possíveis devido à idade da senhora, pois quero eu acreditar que chegamos a uma determinada idade onde já não estamos preocupados com o que os outros dizem e/ou pensam sobre as nossas ações. Seria incorreto, sim, mas uma vez que ninguém foi falar com ela e perguntar o porquê vamos ter de nos basear nesta teoria mesmo sabendo que podiam haver muitas outras para a senhora se encontrar a dançar.


Dançar como se ninguém estivesse a ver é algo que acredito que seja algo extremamente difícil. Uma coisa é dançar e fazer disparates só a brincar, isso eu faço com os meus amigos, mas outra coisa é fazer exatamente esse tipo de dança quando estamos sozinhos, não sei não me faz sentido. Acho que a expressão correta não devia ser “dançar como se ninguém estivesse a ver” mas sim “dançar sem querer saber”. Sem querer saber se estamos no ritmo, se estamos a fazer bem, se está alguém a ver, simplesmente largar todas as preocupações e preconceitos que possamos ter e simplesmente dançar.


Pessoalmente não sou do tipo de pessoa que se encanta muito pela arte de dançar, até porque normalmente a energia que está neste meu corpo é gasta a arrumar o meu quarto, e por isso pouco sobra para um pézito de dança. Mas consigo-me rever neste tema com a questão de cantar. Cantar no carro sem querer saber, por exemplo. E isto já é algo que tenho dificuldades. Consigo cantar quando ninguém está a ver, mas cantar sem querer saber é algo que para mim é muito complicado e só o faço com pessoas que sei que também estão a cantar sem querer saber.


No entanto percebo o que esta pessoa me quis dizer. É importante que todos nós nos deixemos soltar de vez em quando e que façamos algo livremente sem qualquer preocupação do que está certo ou errado, independentemente de estar ou não alguém a ver.

 
 
 

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