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The Good Show

  • Foto do escritor: Daniela Santos
    Daniela Santos
  • 24 de ago. de 2020
  • 3 min de leitura

Atualizado: 24 de set. de 2020


Como a grande cineasta que sou, achei por bem escrever sobre uma série que vi nos últimos meses e que gostei bastante. Chama-se The Good Place e podem encontrá-la na famosa Netflix (ou outros sites completamente legais como eu).

A série começa com a apresentação da protagonista Elanor Shellstrop (Kristen Bell) que recebe a notícia de que faleceu (sim, uma notícia trágica, mas que não afeta muito o estado de espírito desta). Ao falar com Michael (Ted Danson), o seu mentor, percebe que está no Lugar Bom, também conhecido por nós, comuns mortais, como o céu. Elanor é apresentada à sua alma gémea, Chidi Anagonye (William Jackson Harper), e levada para a sua nova casa. No entanto a trama começa quando esta revela a Chidi que se engaram e que ela não é a Elanor que pensam que é, mas sim a Elanor que devia estar no Lugar Mau.

Após quatro temporadas e 50 episódios, a série aborda a famosa questão “O que acontece quando morremos?”. Eventualmente a série expõe o problema do céu – à primeira vista é o paraíso onde todas as nossas necessidades, desejos e vontade são correspondidos, mas é infinito, uma vez que não há morte. Então, uma vez que a perfeição se alastra para sempre as pessoas passam a ser apenas corpos andantes sem sonhos e ambições pois tudo o que desejam acontece com um estalar de dedos.

Assim, percebemos que apesar de o conceito de morte ser algo assustador e capaz de nos dar a todos crises existências de 2 horas, é o que dá à nossa vida um propósito, uma vez que, sendo esta imprevisível, nos devemos esforçar por fazer o que nos faz feliz e trabalhar para alcançar os nossos objetivos. Desta forma, o fim da vida em sí, é o que lhe dá significado.

Após esta reflexão, percebemos que o conceito de céu ou paraíso não é a vida eterna com tudo o que desejamos, mas sim o tempo que esta nos dá com as pessoas que realmente gostamos

Além disto, a série tem por base filósofos como Sócrates, Platão, Kant e Scanlon e as suas interrogações sobre ética e moralidade, explicando que as nossas ações não são suficientes para determinar se somos ou não boas pessoas, mas sim as intenções por detrás destas, apresentando também, a ideia de que não existem regras pré-definidas que funcionem e se apliquem em todas as situações. Assim, a morte dá significado à nossa vida enquanto que a moral oferece um conjunto de linhas guias e senso comum sobre como a devemos viver.

No final da quarta temporada, a série apresenta a vida (e a morte) através da visão budista – como sendo algo, que naturalmente muda ou acaba, e eu acho que toda esta visão e forma como é apresentada na série nos é capaz de trazer alguma paz de espírito e nos deixa a pensar sobre muitas das questões morais e éticas do nosso quotidiano.

Espero que tenham gostado do texto. Apesar de ser algo um bocadinho diferente do que costumo escrever tentei adaptar e, mais importante do que isso, não fazer spoilers!

“It turns out life isn’t a puzzle that can be solved one time and it’s done. You wake up every day, and you solve it again.” – Chidi Anagonye, The Good Place 4×09

 
 
 

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