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Reflexões sobre Histórias no Alentejo

  • Foto do escritor: Daniela Santos
    Daniela Santos
  • 6 de out. de 2020
  • 3 min de leitura


Este texto vem no seguimento do último – Histórias no Alentejo. Depois de ler e reler o texto escrito por mim e pela minha avó achei que fazia todo o sentido escrever um novo em género de reflexão sobre a nossa história.

É tão engraçado para mim encontrar coisas deste género, que mostravam como eu era e pensava quando era mais nova, visto que sou uma pessoa bastante nostálgica. A primeira coisa que reparei no texto foi que na minha primeira frase falei sobre o meu cão e pensar nisso levou-me para um momento no final do meu quarto ano. Nos últimos dias, a nossa professora fez um vídeo com todos os alunos da minha turma em tom de despedida. Cada um tinha um slide onde falávamos sobre nós e depois tínhamos outro onde a professora diria porque é que iria sentir a nossa falta. Lembro-me perfeitamente do que o da minha professora dizia sobre mim – Vou sentir a falta da Daniela e do Simba, que de tanto ouvimos falar e em tantas histórias apareceu que já faz parte da turma.

Esta é a minha primeira reflexão. Ver ao vivo e a cores como o meu cão sempre foi tão importante para mim que não importava o que eu fazia ele estava lá representado, e no quadro onde recebi o meu diploma a minha professora desenhou um cão.

A segunda coisa que me apercebi enquanto ouvia a minha avó a ler a nossa história é que sempre fui uma criança com uma grande imaginação (e também muito chata). É de notar que ao longo do texto que eu vou sempre tentando puxar a história para uma aventura maravilhosa com gigantes, animais que falam, árvores que dançam, fontes mágicas e lendas misteriosas, que graças à minha avó nunca iremos descobrir o que aconteceu à um ou 10 anos atrás. É giro ver que, para mim a escrita e os “desenhos” eram e são ainda hoje um lugar onde podemos dar largas à nossa himaginação e escrevermos absolutamente o que queremos.

Quando eu era mais nova, quis ser escritora (depois da minha fase cavaleira). A minha mãe comprou-me um computador (que ainda hoje tenho) e a minha Ama deu-me um livro que na altura eu li como sendo uma espécie de bíblia para a minha futura profissão chamado “Quero ser escritora” de xx. Então eu passava horas e horas à frente do meu computador a escrever histórias. Muito inspirada na minha coleção preferida na altura “Uma Aventura” de xx. Escrevia longas histórias com capítulos sobre mim e os meus primos (e claro, o Simba) onde partíamos em aventuras a cavalo pelo Alentejo a capturar bandidos e a resolver enigmas.

Hoje em dia, os meus textos, desenhos e trabalhos criativos no geral não são tão focados na minha imaginação, mas sim mais num tema real que me aconteceu ou no qual pensei, e todos eles têm um tom mais filosófico do que eu pretenderia. Esta história serve então como um lembrete para eu tentar voltar a incorporar esta imaginação sem regras que antes tinha no que faço.

A terceira coisa que me apercebi, foi apenas quando eu li o texto e o comecei a transcrever. A minha maneira de escrever não mudou muito. Apesar da temática já não ser a mesma ainda faço muito o uso de parênteses para um comentário pessoal ou sarcástico pelo meio e ainda faço interrogações a mim própria no meio do texto.


Isto volta-me a trazer a quando eu era mais nova e me diziam que não escrevia bem, porque não punha as virgulas no sitio certo ou fazia frases demasiado longas e eu só pensava que um dia quando eu fosse uma escritora conhecida os professores que me criticaram iriam tentar explicar aos seus novos alunos a escrita de Daniela Santos, tão complicado como Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco e outros tantos que somos obrigados a ler na escola.

Por fim, não queria terminar estas minhas reflexões sem deixar o meu agradecimento e pedido de desculpas à minha querida avó por ser uma criança tão chata que estava só a puxar para ver se conseguia ficar acordada mais um bocadinho com histórias sobre gigantes e lendas, mas ela que já sabia o que a casa gastava viu que era melhor terminar o assunto por ali e mandar-me para a camita dormir.

 
 
 

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